Alíquota-teste de 1% em 2026: como funcionam os 0,9% de CBS e 0,1% de IBS?

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Se você emite nota fiscal em 2026, já deve ter percebido dois campos novos no documento: a CBS e o IBS. Neste ano de transição da Reforma Tributária, eles aparecem com a chamada alíquota-teste de 1% — 0,9% de CBS e 0,1% de IBS. Mas o que isso significa na prática? Você paga mais imposto? Precisa recolher? A gente explica tudo neste post.

Por que existe uma fase de teste?

A Reforma Tributária substituirá cinco tributos (PIS, Cofins, ICMS, ISS e parte do IPI) por dois: a CBS, federal, e o IBS, estadual e municipal. Antes de virarem realidade com alíquota cheia, o governo criou 2026 como um ano de calibragem: as empresas destacam os novos tributos nos documentos fiscais com percentuais simbólicos, e o Fisco testa os sistemas e valida os dados — sem aumentar a carga tributária de ninguém.

Como funciona o destaque na nota

Desde o início do ano, NF-e, NFC-e e demais documentos fiscais ganharam grupos específicos para informar IBS e CBS, com base de cálculo, classificação tributária (o cClassTrib) e valores. Na prática, o seu sistema emissor calcula 0,9% de CBS e 0,1% de IBS sobre a operação e destaca esses valores na nota. Importante: a partir de 3 de agosto de 2026, notas de empresas do regime regular sem esses campos passam a ser rejeitadas.

Preciso pagar esse 1%?

Na maioria dos casos, não. A regra é a seguinte: o valor de CBS destacado pode ser compensado com o PIS/Cofins devido no período. E quem cumpre corretamente as obrigações acessórias — ou seja, emite os documentos com os campos de IBS e CBS preenchidos direitinho — pode ser dispensado do recolhimento dos valores de teste. Em resumo: quem está em dia com a parte operacional não sente impacto financeiro em 2026.

O objetivo do ano-teste não é arrecadar, e sim garantir que empresas, sistemas e o próprio Fisco estejam prontos para 2027, quando a CBS passa a valer com alíquota cheia e o PIS e a Cofins deixam de existir.

E quem não se adaptar?

Aí mora o risco. Quem não preencher os novos campos corretamente pode ter notas rejeitadas (a partir de agosto), perder a dispensa de recolhimento e acumular pendências com o Fisco justamente na fase em que os erros ainda seriam baratos de corrigir. Os problemas mais comuns são cadastros de produtos desatualizados, NCM descontinuado, GTIN inválido e falta da classificação tributária dos itens.

O que sua empresa deve fazer agora

Confirme com o fornecedor do seu ERP se a versão atual preenche os grupos de IBS e CBS; revise o cadastro de produtos e serviços item a item; faça emissões de teste em homologação; e acompanhe a apuração para garantir a compensação correta da CBS com o PIS/Cofins. São ajustes simples que evitam dor de cabeça grande.

Aproveite o ano-teste a seu favor

2026 é uma oportunidade rara: dá para errar, corrigir e aprender sem pagar mais por isso. Use esse período para deixar sistemas, cadastros e processos redondos antes da alíquota cheia em 2027.

Precisa de ajuda para validar a emissão das suas notas ou entender a compensação da CBS? A Raízes Contábil acompanha a Reforma Tributária de perto e pode preparar sua empresa para cada etapa. Fale com a gente!

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Vanessa Mariano

Especialista em contabilidade empresarial com mais de 10 anos de experiência.

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